A pergunta "can Brazil compete with China in rare earths?" tem se tornado central nos debates sobre a transição energética global e a segurança das cadeias de suprimento de alta tecnologia. Os Elementos de Terras Raras (ETR) — um grupo de 17 elementos químicos essenciais para a fabricação de ímãs permanentes, motores de veículos elétricos, turbinas eólicas e sistemas de defesa — estão hoje no centro de uma disputa geopolítica sem precedentes.

Enquanto a China domina o setor há décadas, controlando tanto a extração quanto a maior parte da capacidade de refino e separação química do planeta, o Brasil surge como um dos poucos países capazes de alterar essa dinâmica geopolítica. O território brasileiro abriga algumas das maiores reservas declaradas de terras raras do mundo, com destaque para depósitos de argilas iônicas e complexos carbonatíticos. Contudo, transformar potencial geológico em competitividade de mercado exige superar barreira tecnológicas, regulatórias e de infraestrutura. Para compreender mais sobre o papel histórico e estratégico do país, veja também why is Brazil important for rare earths.

Resumo Executivo

  • Dominância Industrial Chinesa: A China controla cerca de 60% da extração global de terras raras e mais de 85% do processamento e separação química dos elementos.
  • Potencial Geológico Brasileiro: O Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras estimada no mundo, com destaque para depósitos de argilas iônicas de baixo custo de extração.
  • O Gargalo Tecnológico: A principal barreira para o Brasil competir não é a existência do minério no solo, mas sim a capacidade de separação química individual dos elementos e a implantação de plantas industriais de refino.
  • Escopo dos Dados Analisados: A base do Mineral Intelligence monitora mais de 388.227 registros públicos e 256.913 processos minerais na ANM/SIGMINE em 27 unidades federativas, permitindo contextualizar a distribuição espacial dos direitos minerários no país.
  • De Dado Bruto a Decisão: Avaliar a viabilidade de competir globalmente exige cruzar geologia, infraestrutura, estagiamento regulatório e viabilidade ambiental simultaneamente.

O Cenário Global: A Hegemonia Chinesa e a Busca por Alternativas

Para responder se o Brasil pode competir com a China, é preciso entender o tamanho do domínio chinês. A supremacia da China não foi construída por acaso; resultou de décadas de políticas públicas integradas, investimentos maciços em P&D geológico e químico, além de subsídios estatais que consolidaram toda a cadeia produtiva, da mina ao ímã.

A dominância da China na cadeia de processamento

Muitos analistas focam apenas no volume extraído pelas minas, mas o verdadeiro poder de mercado da China reside na etapa de separação dos óxidos de terras raras. Separar elementos quimicamente semelhantes, como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, requer processos complexos de extração por solvente e um know-how industrial extremamente especializado. Atualmente, a quase totalidade das ligas metálicas e ímãs de alta performance passa por plantas industriais instaladas em território chinês.

O papel geopolítico e a transição energética

Com o avanço da descarbonização global, Estados Unidos, União Europeia e Japão buscam ativamente diversificar suas fontes de suprimento para mitigar riscos de dependência monopólica. Nesse cenário, governos ocidentais têm incentivado parcerias estratégicas com países que possuem recursos minerais relevantes e estabilidade institucional. O Brasil é visto como um parceiro natural nesse esforço de diversificação global dos minerais estratégicos no Brasil.